Cabelo, tatuagem, viagens e crianças



Tanta coisa aconteceu e eu nem tive tempo de contar, muito menos de escrever. É estranho perceber como a correria dos dias me faz viver tantas coisas e me impede de compartilhá-las.

Acho que já estou em clima de fim de ano. Hoje tirei o dia pra fazer um balanço de tudo. Não fiz mais nada além de ir ao centro com o namorado comprar uns materiais para o trabalho dele e pensar, pensar, pensar... pensei tanto que até deu vontade de botar tudo no blog.

Mas então, a novidade número 1: estou namorando (fiquei em dúvida sobre colocar um ponto de exclamação aqui), e não está sendo fácil me dividir com mais alguém, sempre me vi no verso do Renato Russo: "sou minha, só minha e não de quem quiser", mas na verdade acho que ainda sou minha, só que sou um pouco dele também.

Essa é apenas a primeira e mais branda loucura deste ano. Além de me apaixonar eu fiz uma tatuagem que tinha vontade de fazer havia muito tempo, cortei o cabelo (bem curto) pra me livrar de anos de química, conheci o mar, fiz a minha primeira viagem pra fora do Brasil e virei professora. Sim, professora... quer dizer, oficineira.
Estou dando uma oficina de rádio escola em uma escola municipal perto da faculdade.

A proposta surgiu do nada, eu estava saindo do R.U. na faculdade e tinha um papel na parede informando sobre a necessidade de monitores para a oficina. Eu liguei e pronto, já estava contratada. Foi tão fácil que eu até acreditei que fosse coisa do destino. Fiquei muito empolgada mesmo, mas a primeira aula foi uma decepção. Na primeira conversa com os alunos eu descobri que tudo que eu havia lido sobre educomunicação e comunicação comunitária não serviria para nada. Os alunos não tinham o menor interesse em colocar a rádio para funcionar e muito menos em saber qual era a utilidade daquela parafernalia toda que o governo mandou "de presente" pra eles.

A oficina faz parte do projeto Mais Educação que é muito eficiente na teoria, mas na prática é só mais uma forma de piorar a situação das crianças que sustentam os pais e os irmãos com a Bolsa Família. Funciona assim: a criança tem aula normalmente de manhã, com as disciplinas de costume (português, matemática...), depois ela vai em casa almoçar e volta para a escola à tarde (quando poderia ir brincar, jogar bola, soltar pipa) para assistir mais aulas. Já quem estuda à tarde, tem oficina de manhã. E assim a escola consegue prender as crianças em um mundo seguro e longe da violência e das drogas durante o dia todo... ou não. A criança que não tem frequência na escola, inclusive as oficinas, não recebe o Bolsa Família e ainda apanha em casa. Esse é o único motivo pelo qual elas ainda participam do projeto, elas tem um papel importante no sustento da família. Uma responsabilidade muito grande.

Tem sido muito difícil lidar com as crianças. Essa "obrigatoriedade" faz com que elas vejam as oficinas como algo ruim. Eu tenho me esforçado muito para tentar mostrar o poder que elas tem nas mãos através rádio, mas ninguém quer saber de poder, elas só querem ir pra casa brincar. Isso me deixa com um duplo peso na consciência, por fazer parte do que impede as crianças de realizarem os próprios desejos e por não conseguir despertar nelas a vontade de comunicar. Mas não vou desistir. A rádio ainda vai funcionar e muito bem!

P.S. O pequeno príncipe no topo do post é a figura que tatuei na minha perna. A frase já virou clichê mas faz todo o sentido pra mim, principalmente no momento que estou vivendo agora: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"(Antoine de Saint-Exupéry).



Deu saudade


Saudades daqui, onde eu posso dizer tudo sem ter que ouvir nada.

Onde eu posso voltar sempre sem que me perguntem por onde andei.
A quem posso dar as costas sem medo de não poder mais voltar.
Voltei. Não sei porque, só sei que deu vontade. Deu saudade.

Faz tempo...


Amanhã o blog faz um ano. Passou rápido e é claro que eu fui curiosa o bastante pra voltar a ler algumas das minhas primeiras postagens. Aliás, quando eu criei o blog, me imaginei fazendo isso depois de um ano!

Adorei relembrar algumas coisas, mas não gostei muito de outras. Fiquei feliz ao perceber que mudei muito, mas ao mesmo tempo, fiquei triste por quase ter parado de postar.

Quero agradecer aos leitores e comentadores fiéis desse vermelho e abandonado blog e quero pedir encarecidamente que, se algum desconhecido lê isso aqui, se manifeste!
Também quero dar um destaque especial para os blogs amigos.

Em primeiro lugar, o blog da Clara. O nome é uma graça: Vida no rascunho. Foi lendo o blog dela que eu tive vontade de criar o meu. É muito engraçado eu estar escrevendo isso porque ela não faz a menor idéia de quem eu sou e provavelmente não lê o meu blog (mas leiam o dela, é muito bom mesmo!). O blog dela tem um jeitinho de casa da melhor amiga.

Também tem o blog dos loucos da faculdade. O É vagabundagem, blog de quem fala muita bobagem sobre coisas não muito importantes, mas que é ridiculamente engraçado (não deixem de ouvir o áudio do post de despedida). Eles disseram que vão acabar com o blog, mas comentem lá pra encher o ego deles que eles voltam a postar ; )

Também tem meu querido Donatien, do Misantropia visual. Ele escreve muito bem, do jeito que eu gosto: sarcástico, irônico e sádico... rs. Ele deveria publicar um livro, o blog dele até ganhou um prêmio da Veja. Coisa fina!

E tem o Divagações e loucuras, que ainda tá com cheirinho de novo! Ele é do Vítor, que foi meu "padrinho veterano" quando entrei na faculdade. Apesar de novo, o blog dele está indo muito bem, obrigada!

Bem, é isso. Acho que amanhã vou escrever mais, só não sei sobre o quê!


...ah é, esse post tem muitos pontos de exclamação, mas é porque estou muito feliz hoje : )

PTJ




Já estou quase concluindo o primeiro ano de jornalismo. Nem parece que no ano passado, nessa mesma época, eu estava toda enrolada com o pré-vestiba e com aquela insegurança toda... ô medão de não passar!


Fazendo um balanço geral (sem referências a um certo jornal goianiense) estou me sentindo mais quadrada. E eu digo quadrada no que se refere à escrita... antigamente eu nem escrevia coisas como "no que se refere". Por isso eu coloquei esse nome no post. PTJ (produção de texto jornalístico) é uma matéria ministrada pela prof. Ângela. E ela que não "me leia" mas eu assisto às aulas dela como se estivesse aprendendo tudo que eu já sei, só que com termos técnicos.

A impressão que me dá é que todo mundo que lê jornal consegue produzir um texto jornalístico. Por exemplo, antes de saber o que é um lead eu já sabia que no texto jornalístico, as informações mais importantes vêm primeiro. É claro que elas vêm primeiro, por isso que a gente só lê o começo!

Enfim, PTJ é uma daquelas matérias que fazem a gente pensar se realmente vale a pena todo o esforço pra entrar na faculdade. Assim como quem leu esse post deve estar pensando se valeu a pena chegar até o final... é impressão minha ou eu não disse nada com nada?

Porque eu sumi

Porque eu escrevia aqui pra não contar pra ninguém, mas agora eu escrevo e as pessoas lêem o que eu não quero contar pra elas, então não escrevo mais!

Voltei!

Na verdade eu estive aqui o tempo todo mas, pra variar, sem ânimo pra escrever. Caso alguém ainda leia esse blog (Sheila, isso foi pra você!) vou fazer um resumo de algumas coisas que aconteceram e que eu deixei de postar aqui:


- Arrumei um emprego no call center. Não é nem um pouco estressante como dizem. Na verdade, é super divertido atender aquele povo nervoso e pensar em como meus problemas são pequenos perto dos deles :P Além do mais, em que outro emprego eu poderia ir trabalhar de havaianas?

- Estou odiando a faculdade. Tudo bem que dizem que o primeiro semestre é o pior, mas tá insuportável. Não tenho ânimo pra estudar, perdi duas provas e consegui fazer segunda chamada de uma, mas não adiantou nada porque eu não sabia a matéria. As chances de eu reprovar são grandes. Mas que se foda, o diploma de jornalismo já não é mais obrigatório!

- A redação que eu fiz pro vestibular da Ueg no ano passado ficou entre as melhores e foi escolhida pra fazer parte de uma coletânea.

- Tive a primeira desilusão amorosa do ano, mas não vou ficar falando disso porque parece papo de velha encalhada (ok, eu poderia ter inventado uma desculpa melhor).

- Eu e alguns amigos da turma de jornalismo da UFG criamos um blog sobre inclusão digital como trabalho pra matéria de Novas Tecnologias. O encerramento do blog foi na segunda-feira passada, mas decidimos continuar postando. O nome é digital inclusa e vale a pena dar uma olhada no vídeo que o Frederico editou pro encerramento. Ficou tão bom que eu nem fiquei grilada por ele ter colocado uma foto comigo ligeiramente bêbada. O último texto que eu postei lá foi esse.

- Não tenho visto tantos filmes quanto eu gostaria, mas dois dos melhores que vi nesse meio tempo foram:
Acossado


Uma arma e uma mulher bonita, diálogos banais e cenas corriqueiras. Por incrível que pareça, é muito bom.

E Across The Universe
Na verdade, eu achei a história toda "bonitinha" demais pro meu gosto . Mas a fotografia é tão linda e a trilha sonora tão perfeita que dá vontade de ver o filme várias vezes. Perdi a conta de quantas vezes já ouvi Joe Cocker cantando Come Together e a versão de Let Be interpretada por Carol Woods e Timothy T. Mitchun.

- E por último, ontem foi a festa de quadrilha do Call Center e, até pra minha surpresa, eu fui trabalhar caracterizada. Alguém já imaginou que, ao ligar pra reclamar da conta telefônica, seria atendido por uma pessoa fantasiada? Pois é!
Eu e a Michele lá na festa, com crachá e tudo! Essa foto péssima foi tirada com meu celular novo que eu já consegui estragar.

Dono de uma vida e só


Sempre que saio do supermercado, sacolas na mão, fico me perguntando se não teria esquecido nenhum item da lista de compras que, por preguiça de passar para o papel, guardei na cabeça mesmo.

Arrependo-me por ter vindo a pé. O peso das compras faz o percurso até minha casa parecer mais longo.


Decido passar pela praça. Grama limpa, canteiros bem cuidados, charmosos bancos de madeira. Ponho as compras de lado e fico a observar as pessoas. Tudo parece estar onde deveria estar. Tudo, menos o homem do outro lado da rua. Com roupas sujas, sentado sobre um colchão velho na calçada. Alheio ao que acontece à sua volta, como se não tivesse consciência do que ele é. Restos de comida a seu lado. Talvez sejam restos do seu jantar de ontem ou talvez sejam restos para o seu almoço de hoje. Também há uma latinha velha e enferrujada onde alguns passantes deixam uns trocados. Não encaram o homem.


O mais intrigante é que ele não parece triste nem preocupado. É inexpressivo, como se estivesse apenas esperando.


Penso no desconforto; vários dias sem banho, as mãos sujas, a barba enorme. E apesar de tudo isso, o homem parece sentir-se à vontade, deve ter se acostumado. Talvez ele seja um desses retirantes sem sorte. Esposa e filhos provavelmente o  esperam em algum lugar, mas ele não se lembra mais da família nem da casa. Agora ele vive apenas para si mesmo.


Já é por volta de meio dia, não há mais sombra na calçada do homem. Ele permanece lá, pega do chão a vasilha com restos de comida. É seu almoço.


Almoço. Agora me lembro, vou fazer carne com legumes para o almoço. Esqueci de comprar as batatas. Volto ao supermercado com minhas sacolas pesadíssimas. As pessoas continuam passando, o homem sujo continua sentado na calçada.




*Redação dos tempos do cursinho.